1. Dou muito pouco valor a previsões estruturais, feitas somente a partir da análise da natividade[1], as quais, via de regra, são, por exemplo, do tipo “você se separou de seus pais na infância” ou do tipo “você é extremamente agressivo”. Quanto ao primeiro tipo, o cliente, é claro, já está farto de saber disso e pouco uso pode fazer de tal informação além de ficar encantado com o “poder” do astrólogo e da Astrologia. Quanto ao segundo, ou o cliente confirma nossa afirmação, pois já sabe ser muito agressivo e recaímos na situação anterior ou a desconfirma, e jamais saberemos – a não ser que esse cliente esteja concomitantemente sendo psicanalisado por nós – se ele, de fato, é agressivo, mas não sabe disso, ou se erramos em nossa avaliação;
2. Por essas razões, concentro-me, essencialmente, em fazer previsões conjunturais, ou seja, as que nos permitem apontar que, durante um determinado período passado, presente ou futuro, certa tendência esteve, está ou estará atenuada ou exacerbada. Essa variação na intensidade de uma tendência é mais facilmente perceptível, o que permite que situações atuais ou futuras sejam mais bem manejadas.
3. Para esse tipo de previsão, emprego, especialmente, a análise dos trânsitos[2], que permite, melhor do que outras técnicas, uma delimitação precisa da natureza da previsão e dos períodos a que ela se refere;
4. Pouco erro no que diz respeito a esse tipo de previsão, pois não me perco avassalando o cliente com dezenas delas. Restrinjo-me às mais óbvias e relevantes, fornecendo uma quantidade de dados que facilita a concentração sobre o fenômeno esperado, permitindo seu melhor manejo. Segue um curioso exemplo dessa minha postura:
Uma colega psicóloga pediu que eu desse uma olhada no mapa de sua filha, que iria mudar-se para uma minúscula cidade de Mato Grosso, e que desse uma idéia sobre o que deveria ser esperado desse deslocamento. Fiz os trânsitos e disse à mãe que NÃO VIA NADA. “Como não vê nada?!”, retrucou. “Não vejo nada de relevante, de intenso, de significativo e não vou perder meu tempo nem o de sua filha, falando sobre ocorrências tão sutis que, para percebê-las, ela terá que ficar cansativamente atenta, sem auferir de nenhum ganho maior com isso. Talvez alguém mais competente do que eu consiga ver o que eu não estou vendo. Quanto a mim, não vou inventar previsões apenas satisfazer quem me procura”. Minha colega saiu, aborrecida da vida. Entrou em contato comigo algum tempo depois e relatou que a filha lhe havia ligado de Mato Grosso, dizendo: - “Mamãe, aqui não tem NADA, não acontece NADA! Não tem cinema, não tem supermercado, meu marido sai para o trabalho e eu fico sozinha em casa, no meio do NADA, sem fazer NADA”. Nesse curioso episódio, quando eu NÃO VI NADA, estava vendo alguma coisa!
4.1. Deixo claro que as previsões astrológicas com facilidade nos indicam o “santo” que vai baixar, mas, dificilmente podem indicar com segurança o “terreiro” em que isso vai ocorrer. Passar inadvertidamente do “santo” para o “terreiro” talvez seja o erro mais comum cometido pelos astrólogos. Passo a relatar um, cometido por mim:
O Sol, como sabem os iniciados, é o “centro de força” de um mapa e, estando na casa I, pressiona quem possui tal característica a auto-impor-se de maneira prepotente, e prepotente certamente era um de meus ex-pacientes, Abílio, um jovem de vinte e poucos anos, forte como um touro, que apresentava essa característica em seu mapa. A certa altura de seu tratamento, vi que o planeta Júpiter estava prestes a fazer “oposição”[3] com a posição do Sol em seu mapa natal. Ora, trânsitos de Júpiter provocam expansão das características por tais trânsitos ativadas, o que me fez, de imediato, concluir: “Abílio vai se meter em dificuldades por um aumento (conjuntural) de sua prepotência já (estruturalmente) aumentada”. Acertei? Não: meu paciente teve uma pericardite. SEU CORAÇÃO (o órgão que, no corpo animal, é representado pelo Sol) simplesmente INCHOU! Inchou e, passado o trânsito, DESINCHOU. Tivesse ele oitenta anos e sofresse de uma cardiopatia, eu teria pensado no coração. Não pensei e errei. Este é um bom exemplo dos riscos que existem em passar sem maiores cuidados do “santo” para o “terreiro”. Fique atento para impedir que eu, ou qualquer outro astrólogo, faça isso com você.
4.2. Também deixo claro que, quando prevejo “Vai chover”, não estou prevendo “Você vai se molhar”. Como brilhantemente resumiu um de meus pacientes, nós não MANDAMOS no nosso destino, nós SURFAMOS no nosso destino. A Astrologia se encarrega de nos informar sobre a qualidade das ondas, cabe a nós cuidar da qualidade do surfe.
5. Antes de me lançar a fazer previsões relativas ao futuro, faço algumas relativas ao passado e ao presente e confiro a correção ou incorreção de dessas previsões, isso a partir de feedbacks do cliente, feitos por imeils, MSN ou Skype. O episódio a seguir ilustra a utilidade desse cuidado:
Certa feita, recusei-me a continuar a leitura de um mapa, pois errei todas as previsões que fiz relativamente ao passado e ao presente da nativa, o que punha seriamente em questão a confiabilidade de previsões que eu viesse a fazer em relação ao futuro. Essa cliente, pouco tempo depois, entrou em contato comigo para me informar que sua mãe, ao saber de sua frustração frente a minha recusa, lhe confessou que, com o apoio do pai da cliente, havia adulterado a data do nascimento da filha, para ocultar o fato de que, quando casara, já estava grávida. O mapa que eu estava analisando, portanto, NÃO ERA O MAPA DA PACIENTE! Não era de espantar que todas minhas previsões resultassem incorretas.
6. Envio, por imeil, gráficos para o cliente, indicando os períodos em que, durante um ou dois anos seguintes à data da análise do mapa, deverão estar operando mais fortemente determinadas tendências. Esses gráficos informam quando uma determinada influência começará a operar de maneira mais intensa, quando chegará a seu clímax, e quando deixará de se fazer sentir com intensidade significativa.
7. Quanto ao pagamento, metade do preço acordado é pago antes de eu iniciar meu trabalho e metade após o envio do laudo final. Essa última parcela pode ser desprezada, caso eu não consiga produzir previsões passíveis de serem produtivamente utilizadas pelo cliente.
8. Como, freqüentemente, só posso me ocupar da análise de um mapa astrológico durante os fins de semana, cada uma dessas análises costuma delongar-se durante um período que varia entre um e dois meses.
[1] Posição relativa dos astros no zodíaco, determinada segundo o momento e local do nascimento de uma determinada pessoa.
[2] “Trânsitos” são ângulos especiais feitos por astros reais sobre pontos particularmente sensíveis de uma carta natal.
[3] Um ângulo de 180°.