28 de jul. de 2011

ELISABETH BADINTER E A IDEALIZAÇÃO DA MATERNIDADE

Desde Alexis de Tocqqueville (1805-1859) e, com alguma boa vontade, Auguste Comte (1798-1857), não encontrei pensador francês de filosofia ou humanidades (enfatizo “pensador”, não “coletores de dados”, como competentemente o foram Foucault e Lévi-Strauss) que me despertasse suficiente respeito para que eu empregasse meu tempo em comentá-los. Isso inclui – a despeito da excelência de sua dramaturgia – o existencialismo ingênuo de Sartre e os sedutoras prestidigitações lingüísticas de Althusser, Barthes, Deleuze, Guattari, Kristeva e, last but surely not least, Lacan.

E assim fiquei, posto em sossego, até quando Elisabeth Badinter, em seu “Um Amor Conquistado” (1980), desmitificou, solidamente assentada em fatos históricos, a ideologia que ainda sobrevive – e contra a qual se levanta – sobre a “real” natureza da maternidade.

Em seu exemplar de 20 de julho próximo passado, a revista Veja trouxe-me de volta, em uma entrevista, o pensamento da autora, que meu respeito por ela me obriga a comentar.

Meu primeiro comentário é sucinto e relativamente óbvio, mas merece cuidadosa atenção. Não obstante sua fina análise das vicissitudes históricas do conceito de maternidade, a autora falha em desfazer de maneira suficientemente nítida os elementos, de per si autônomos, de duas tríades falsamente coladas em nosso ambiente cultural: a primeira, entre mulher, feminino e maternal; a segunda, entre homem, masculino e paternal. Não cumpre ser um gênio para concluir que essas falsas colagens podem permitir enganos que atrelam mulheres e homens a características que podem perfeitamente passear entre umas e outros, levando, por exemplo, a afirmações sobre a mulher que se aplicam apenas ao feminino, ao feminino apenas o que se aplica ao maternal, ao homem o que se aplica apenas ao masculino etc., etc., etc.. Para quem, como ela, está disposto a, como acentua o entrevistador, “despertar a ira de feministas, ecologistas e acadêmicos”, seria de bom alvitre evitar tais tropeços.

Meu segundo comentário diz respeito a uma lacuna que a formação da autora dificilmente seria capaz de preencher. Cito trechos da matéria para, a partir deles, fazer meus reparos. A certa altura da entrevista, a autora afirma:

o conceito de maternidade tal como hoje conhecemos” [...] surgiu “apenas a partir do século XVIII, sob influência direta Jean-Jacques Rousseau” [...] “ele conseguiu convencer a sociedade francesa a valorizar mais a função materna, argumentando que isso significava para as mulheres a reconquista do papel superior que lhes foi dado pela natureza [grifo meu].”

Meu comentário se dirige não à determinação, solidamente fundamentada pela autora, da época em que se cunhou a ideologia, ainda vigorosa – e fortemente brandida pelo setor xiita do feminismo atual – da “superioridade” da função materna. Ele dirige-se ao fato de ter ela atribuído a Rousseau o papel de haver “convencido” a população francesa, indiscutível centro de difusão cultural daquela época, quanto à real existência dessa tal “superioridade”. Creio que, aqui, a autora, correta quanto à natureza do fenômeno e o período de sua ocorrência, está grandemente equivocada no que diz respeito ao modelo do qual se serve para explicá-lo.

E isso em virtude de haver farta evidência empírica de natureza astrológica - desde meados do século XVII injustamente abandonado pela comunidade acadêmica – apontando para que:

(1) Quando um astro super lento entra e passa a transitar em um determinado signo, ele imprime seu especial matiz ao tema central daquele signo;

(2) Esse efeito é pressentido subliminarmente pela humanidade como um todo;

(3) É trazido para a consciência coletiva por um ou mais indivíduos que, além de serem gênios intelectuais, possuem uma carta astrológica indicando especial sensibilidade para aquele trânsito; e que

(4) Essa especial sensibilidade é indicada, principalmente, pela posição que, na carta desses indivíduos iluminados, ocupam – data venia pelo trocadilho – os luminares, sejam, o Sol e a Lua.

Ora, sobre que matéria teoriza Badinter? Sobre exacerbada idealização da maternidade ter ocorrido a partir do século XVIII.

Ora, (1) a maternidade é a temática central do signo de Câncer e (2) Netuno, um astro super-lento*, tinge com matizes de idealização qualquer elemento que pincela**.

O que poderiam essas duas afirmações nos levar a inferir estar ocorrendo no céu, durante o século que entronizou a maternidade?

Fácil: que o planeta da idealização, Netuno, tivesse entrado no signo da maternidade, Câncer, e lá ficado por bom tempo, graças a sua lentidão.

Ocorreu isso? Basta consultar as efemérides, tabelas astronômicas – disse “astronômicas”, não disse “astrológicas”! – que nos indicam a posição exata de cada astro, no ano, mês, dia, hora, minuto, segundo etc., que quisermos bisbilhotar.

Consultaram essas tábuas? Não? Pois eu consultei e elas revelaram precisamente o que seria astrologicamente esperável:

NO SÉCULO XVIII, NETUNO ENTROU NO SIGNO DE CÂNCER,

TRANSITANDO LONGO TEMPO POR ALI.

E quanto a Rousseau?

Terá sido mesmo, como pontifica Badinter, sua “influência direta”(sic) que “conseguiu convencer a sociedade francesa”(sic) – e, convencida essa, convencer o mundo – a idealizar a maternidade?

Ou Rousseau, à parte sua genialidade, apresentava também, em sua carta astrológica, características que o tornavam particularmente apto para ser o arauto*** de um mito que a França e o mundo já estavam assaz preparados para receber?

Essa segunda hipótese ficaria particularmente reforçada se, segundo as considerações feitas anteriormente, seu Sol e/ou sua Lua estivessem, em sua carta natal, sob intensa influência do Planeta Netuno e/ou do Signo de Câncer. Vejamos.

Não tinha o mapa de Rousseau e recorri, obviamente, ao Google. Note-se o que encontrei: Netuno em conjunção (= forte influência) com a Lua, sendo essa conjunção ainda mais fortificada por uma sextilha (= significativo reforço daquela influência) com um Sol em Câncer.

Bingo! Quantos indivíduos, entre os quase 1 bilhão de pessoas presentes na Terra daquele século, além de serem gênios literários, teriam tal aspecto astrológico e habitariam um centro difusor de cultura como a França de então? Mais um detalhe, que facilitou certamente a idealização da mãe por Rousseau, a mãe desse grande e romântico francês faleceu quando lhe deu à luz... É, sem dúvida, mais fácil fantasiar a excelência de uma mãe ausente do que a de uma que não apenas nos abriga, mas também nos obriga...

O mundo acadêmico terá seu potencial preditivo significativamente empobrecido, enquanto insistir em, ao invés de submeter seriamente à prova as hipóteses empíricas da Astrologia, desconsiderá-las sumariamente, deixando-as ao sabor dos palpites canhestros de apedeutas e charlatões.

À guisa de sobremesa, para os mais entendidos:

1) Futurologia:

A crise econômico-financeira dos EUA, independentemente de algum sazonal recuo, deve seguir-se aprofundando, até chegar a seu clímax, no ano de 2014. Plutão em Capricórnio chegará, nesse ano, a uma oposição exata com o Sol em Câncer, situado na casa II, das posses, desse país. É também possível que, nesse ano, ele perca sua hegemonia econômica (possivelmente para a China, não por razões astrológicas, mas pelo que se vê por aí...). Também é possível que a racha tectônica existente sob São Francisco venha a sofrer abalos (o Sol do país, além de estar na casa II, rege a casa IV, associada aos alicerces de um indivíduo, de uma empresa, de um país etc.).

2) Presentologia:

Plutão, desde o fim de 2008, adentrou Câncer, o que tende (contrariamente ao que fez Netuno ao entrar nesse signo) a trazer à tona tudo o que há de podre sob a fachada idealizada do materno. Ocorrendo isso, o trabalho de Badinter ficará na berlinda e será respeitado.

3) Passadologia:

No século XIX, Plutão, rei do Hades (inferno grego e, assim, de tudo que é subterrâneo, invisível, obscuro, marginalizado etc.) entrou no signo de Touro, um signo intimamente associado a tudo que é palpável, visível, audível, cheiroso, degustável e palpável. Ótimo para o nascimento da Psicanálise, não?

Pois bem, Freud, seu criador, tinha, alimentando sua genialidade e sua privilegiada alocação cultural, um mapa astrológico com o Sol (= consciência) em Touro (= o que pode ser captado por nossos sentidos e assim, por derivação, nosso comportamento) acicatado por sua conjunção com um Plutão (= o inferido e assim, por derivação, o Inconsciente). E não com um Plutão qualquer, mas com um Plutão especialmente poderoso, pois Escorpião, o signo por esse astro comandado, estava nascendo no momento em que Freud nasceu. Não é à toa que esse neurologista vienense inaugura oficialmente a Psicanálise, colocando em latim, no frontispício de sua mais conhecida obra, a “Interpretação dos Sonhos”, a famosa frase de Virgílio:

Flectere si nequeo Superos, Acheronta movebo.”

Entenda-se:

Se não posso dobrar o Céu, moverei o Inferno”!

__________________________________________________

*Leva cerca de 170 anos para percorrer o Zodíaco, enquanto a Lua leva 28 dias para isso, e os ciclos zodiacais de Mercúrio e Vênus, por exemplo, nem sequer a 1 ano chegam.

**Uma arguta colega psicanalista dizia que ser mãe não é, como reza o dito, “padecer num paraíso”, mas, bem ao contrário, “ser feliz num inferno”...

***Especialmente, frisa Badinter, com a publicação, em 1762, de seu Emile.

27 de jan. de 2011

ASTRÔNOMOS E ASTRÓLOGOS

NE SUTOR ULTRA CREPIDAM(nota 1)
O artigo “Tem Confusão no Céu da Ciência e no da Crença”, recentemente publicado por VEJA (n.2), esconde, sob um falso manto de cientificididade, uma cadinho em que se misturam lógica mambembe com decantada ignorância, postas à serviço de um secular e medroso preconceito.

Petitio Principii:

“Petição de Princípio” é como se denomina, em Lógica, o raciocínio falacioso no qual se que constrói a aparência de havermos chegado pari passu a uma inescapável conclusão, quando, na verdade, essa conclusão já foi subrepticiamente introduzida como verdadeira nas mesmas premissas em que se fundamenta tal raciocínio.

Desde seu título – “Tem Confusão no Céu da Ciência e no da Crença” – o artigo de VEJA insinua como aceita premissa o que nos tentará incutir como necessária conclusão, pois, desde esse título dá-se por ponto pacífico exatamente o que está sub judice, seja, se a Astrologia merece ou não o status de ciência.

Essa postura de ter por sacramentado o que se fingirá estar sob julgamento é logo reafirmada no início do artigo:

Por que o astrônomo Parke Kunkle(n.3)resolveu meter sua colher científica nessa sopa mística? Pela mesma razão que, desde a codificação do método científico, os cientistas cutucam os místicos que querem disputar com eles o coração e a mente das pessoas.” (p.85; grifos meus)

Se tivessem condições de ser honestos, diriam: “nós escreveremos este artigo já partindo da CRENÇAde que a Astrologia NÃO PASSA DE UMA CRENÇA.”

Mas não há vísceras para tanto e os articulistas irão, aplicando conhecimentos astronômicos corretos sobre conhecimentos astrológicos distorcidos, fingir estarem demonstrando o que já tinham desde o início deliberado: que as hipóteses astrológicas são de natureza irracional.

Na verdade, o artigo faz exatamente aquilo de que – como veremos adiante – acusa injustamente Gauquelin (p.89): tenta dar foros de cientificidade a uma CRENÇA, a de que a Astrologia NÃO É uma ciência (n.4).

Gols, goleiros, estádios e enfermarias:

Volto a citar o artigo:

O problema é que o céu muda ... Isso significa, explicou Kunkle, que as constelações desenhadas pelos astrólogos (n. 5) 3 000 anos atrás para definir que meses e dias do mês correspondem a cada signo não são as mesmas do céu de agora (n. 6).” (p.86; grifos meus)

Estou de acordo com Quiroga, citado nesse mesmo artigo:

A tentativa de confundir signos e constelações é motivada ou por má intenção ou por pura ignorância.” (p. 89)(n. 7).

Lancemos mão de um exemplo pala ilustrar a salada Kunkliana apontada por Quiroga:

Corinthians e Flamengo se defrontam no Maracanã. Quando menos se espera, o goleiro do segundo sofre grave contusão por falta e é transportado para a enfermaria do estádio. Se o locutor que estivesse transmitindo o desenrolar do jogo entendesse tanto de futebol quanto Kunkle entende de Astrologia, bradaria, incontinenti: “Incrível, senhores , tendo o goleiro do Flamengo sofrido grave contusão, o gol do time foi transferido para a enfermaria do estádio, para onde devem, doravante, se voltar os chutes do adversário!” Pobres médicos e enfermeiros!

Esmiucemos a analogia: dada a precessão dos equinócios (= a falta) uma constelação (= o goleiro) se desloca pelos doze setores (= gol, enfermaria etc.) do Zodíaco (= estágio), aos quais os astrólogos chamaram de signos. Ora, cada um desses setores ou signos foram originalmente denominados, pelos que os delimitaram, segundo o nome da constelação que em cada um deles se encontrava cerca de 4000 anos atrás.

O FATO DE ESSAS CONSTELAÇÕES, AO LONGO DE MILÊNIOS, SE HAVEREM DESLOCADO PARA OUTROS SETORES DO ZODÍACO, TRANSFORMA TÃO POUCO A NATUREZA DO SIGNO (= SETOR ZODIACAL)QUANTO O DESLOCAMENTO DE UM GOLEIRO PARA UMA ENFERMARIA TRANSFORMA A FUNÇÃO DA ENFERMARIA OU A DO GOL.

Kunkle, como outros astrônomos, passando além das chinelas que lhes cabem, mistura alhos com bugalhos, tirando suas conclusões à maneira de um esquizofrênico, que, ao ver, em um teste, uma mancha freqüentemente interpretada como “borboleta” ou como “mariposa”, pontificou, guiado por sua mente confusa: “Borboposa ou marileta!

Entendido que são os setores do zodíaco, denominados signos, e não as constelações, que desempenham o papel de “variáveis independentes” (=fatores determinantes) no arsenal explicativo da Astrologia, ficaríamos poupados de ver Kunkle et aliter se aproveitarem de um conjunto de dados astronômicos corretos para produzir um monumental arrazoado de sandices astrológicas. Como se vê, não tem o menor sentido, seja do ponto de vista conceitual ou do ponto de vista histórico, tentar enfiar a constelação de Serpentário, descoberta em 1930, na divisão em setores do "Maracanã zodiacal", divisão essa estabelecida, desde os egípcios e babilônios, a partir da natureza do cosmos e da observação empírica (= ciência!)dos efeitos exercidos sobre os fenômenos terrestres, humanos ou não, pela passagem dos astros por tais setores.

Destarte, inspirado pela famosa diatribe de Cícero contra Catilina - "Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra!" - desabafo eu:

Até quando, ó astrônomos, abusareis de nossa paciência!

Michel Gauquelin:

Se, quanto no que diz respeito ao tipo de correlação – meramente onomástica - entre constelações e signos, segui anteriormente Quiroga, oponho-me frontalmente a ele, quando acusa a ciência astrológica de “não aceitar os rigores da aferição empírica e da prova pelos pares.” (n. 8) (p. 90).

Isso é acabada balela:

Primeiro, a Astrologia foi, em particular a partir do chamado Iluminismo, deliberadamente expulsa dos meios acadêmicos – principais patrocinadores dessa aferição empírica e das publicações que permitem a “peer review” – o que nos justifica afirmar ser a Astrologia, a partir de então, não uma “ciência oculta”,mas, sim, uma ciência é uma “deliberadamente ocultada”;

Segundo, é vergonhoso como essa ocultação da cientificidade astrológica, leva autores como Kunkle e os articulistas em tela a considerar as seriíssimas pesquisas do psicólogo e estatístico Michel Gauquelin, replicadas com vastas amostras e em diversos países, - pesquisas em que o autor demonstra a insofismável correlação estatística entre certas posições astrológicas e determinadas características comportamentais – como tentativas de, por meio dessas rigorosíssimas pesquisas, “dar ares de cientificidade” à Astrologia. O que se vê, sim, é serem exatamente os autores em pauta - os quais, é óbvio, jamais abriram um trabalho de Gauquelin - que tentam, com evidente desconhecimento da matéria em pauta, dar “ares de cientificidade” as descabeladas conclusões do astrônomo norte-americano;

Terceiro, é lamentável ver que os que expulsaram a Astrologia das universidades – impedindo uma séria avaliação de sua validade científica – deixaram-na, por isso, à disposição de uma série de charlatães, cuja prática irresponsável e incompetente, justamente por estar desprovida de fiscalização acadêmica e governamental, serve às maravilhas para justificar os preconceituosos vieses dos que abriram as portas para o exercício astrológico desses mesmos charlatães.

Minha previsão , na verdade, é a de que, mais cedo ou mais tarde, no Ocidente, a Astrologia trilhará o mesmo percurso que trilharam a Homeopatia e a Acupuntura: inicialmente banidas de clínicas, hospitais e academias, são hoje acolhidas por convênios, por universidades e, no Brasil, até pelo SUS.

Darwin:

Nada impede a um gênio de dizer bobagens. Pois nossos articulistas, no afã de justificar seus non sequitur (n.9), servem-se (1) de uma afirmação de Darwin que, sem fazer mossa sobre sua indisputável genialidade, é das mais tolas dentre as que jamais emitiu, a qual, álém disso, (2) mesmo que tolice não fosse, seria incapaz de dar sustentação à conclusão a que aqueles autores pretendem induzir seus leitores.

Transcrevo a infeliz citação:

Apresentem-me um único ser vivo que não teve um antepassado e toda a minha teoria pode ser jogada no lixo.” (p.90)

Darwin deveria estar extremamente irritado com seus opositores para dizer tamanha besteira.

A maior delas, aqui, é supor que o fato de, até um determinado momento, não se haver encontrado ascendente para um determinado ser vivo, isso implique que tal ascendente não seja passível de, em futuro próximo ou distante, ser encontrado;

Se, na ocasião de tal escorregadela, o gênio inglês estivesse em pleno uso de sua racionalidade , teria, isto sim, afirmado:

Basta que um único ser vivo tenha tido um antepassado para que minha teoria não deva ser jogada no lixo.

E isso por quê? Porque bastava ter ficado provado que um único ser vivo passou por um processo de evolução filogenética – e, a partir de Darwin, isso ficou demonstrado em relação a dezenas de milhares deles – para desconfirmar a proposta cristã de que TODOS seres vivos continuam sendo exatamente idênticos aos que Deus criou no Paraíso. Uma desconfirmação inelutável, que, na verdade, foi a origem primeira de toda oposição – que até hoje – nos EUA, por exemplo - resiste bravamente contra a obra do inglês.

Digamos, entretanto, for the sake of argument, que a afirmação de Darwin citada pelos articulistas não fosse uma rematada bobagem.

Digamos que e o fato de uma expectativa gerada por um determinado conjunto de hipóteses não ser preenchida fizesse tal conjunto merecedor de ser alijado do panteão das ciências...

Nesse caso, deveríamos estar todos preparados, para a provável tristeza de Kunkle e, aparentemente, dos articulistas, para jogar no lixo não só Darwin, o Evolucionismo e a Astrologia, mas também a Meteorolgia, a Economia, a Psicologia, e com especial pompa e circunstância, a Física Quântica, que, de braços com Lula e Platão, só sabe que nada é capaz de saber...

NOTAS:

(1) A citação completa é “Ne sutor ultra crepitam judicaret“ (Que nenhum sapateiro não se meta a julgar mais do que as chinelas”), atribuída a Apelles, pintor grego por alguns considerado o maior da Antiguidade. Frase desde então empregada como reprimenda àqueles que se dispõem a falar sobre o que não conhecem;
(2) Ano 44, n.4, 26/01/11, p.85-90;
(3) Professor da Minneapolis Community & Technical Center (USA);
(4) Empírico-indutiva, por suposto, não teórico-dedutiva, como, por exemplo, a Física de Newton;
(5) Perdão, "astrônomos". São eles que lidam com constelações; astrólogos lidam com signos;
(6) Logo ficará patente que Kunkle não tem a menor idéia do que, em Astrologia, significa, para uma constelação, "corresponder a um signo".
(7) Ao que eu acrescentaria: por uma supina ignorância, gerada pela má intenção de rejeitar, por medroso preconceito, o tipo de conhecimento astrológico. É como se alguém, aproveitando-se dos não poucos erros das previsões meteorológicas, negasse seu fundamento científico, porque tem medo de ouvir que vai chover.
(8) "Prova pelos pares" ("peer review"): exigência de confirmação (replicação) por outros observadores qualificados em um determinado tipo de conhecimento (os "pares"). Essa exigência epistemológica foi considerada um sine qua do método científico a partir da fundação, em 1660, da Royal Academy of London for the Improvement of Natural Science, em geral simplesmente chamada de Royal Academy (seu equivalente francês, a Académie des Sciences, foi fundada em 1666).
(9) "Diz-se de argumento cuja conclusão não é garantida pelas premissas." (Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Curitiba: Ed. Positivo, 2009)